Um filme revisto…

Raramente me atrevo a pronunciar sobre assuntos que julgo desconhecer. Hoje decidi contrariar-me. Neste papel confortável de simples treinador de bancada posso afrontar os especialistas em economia [claro que nenhum economista se interessará pela minha opinião, da mesma forma que eu acabo por relativizar as opiniões deles quando se pronunciam acerca dos problemas educativos].

O empolamento [dizem os economistas que é esta A VERDADE] em torno do problema da despesa pública em relação ao PIB acaba por depreciar o problema da criação de receita e do fracasso dos agentes produtores de receita [está bem, eu também produzo receita, afinal o fracasso deles é também o meu]. Esses [os produtores claro, nós somos apenas os gastadores], não podem ser desmoralizados. Têm de ser estimulados, subsidiados, enfim, apaparicados.
Já viram este filme?

Igualar a diferença

As medidas anunciadas pelo governo, tendo em vista a redução do défice, foram recebidas em êxtase pela generalidade da comunicação social e por um conjunto de mensageiros da desgraça obcecados pela dieta do estado. A tentativa de igualar o inigualável reduziu a análise dos problemas do alargamento da reforma no sector público a meras operações contabilísticas. Utilizado e gasto até à exaustão o argumento da equidade, a questão do alargamento da idade de reforma foi lançada para a opinião pública num único pacote. A ideia que passou é que a função púbica é singular. Ora, como seria de esperar, as excepções confirmam uma função pública verdadeiramente plural. Como recordava o Gonçalo recorrendo a uma notícia do Expresso, a lista das reformas de excepção é enorme.
E ao contrário do que possa parecer, não me deixo surpreender com a dimensão da lista das excepções. O que me surpreende verdadeiramente é a rejeição da diferença das funções [públicas] e a tentativa frustrada de querer homogeneizar a diferença!

Serviço [de vigilância] público

Duas horas forçadas de reflexão e um turbilhão de pensamentos cortados pela solicitação de uma nova folha de prova. Se prescindirmos dos motivos que se prendem com a possibilidade de um retiro espiritual compulsivo não encontro razões substantivas que justifiquem a atribuição do serviço de vigilância aos exames nacionais a um professor. A meu ver, esta função enquadra-se nas funções do auxiliar da acção educativa ou, em última instância, pode ser remetida para uma empresa de segurança privada. É verdade. Foi a ambiguidade do articulado no estatuto da carreira docente que deixou terreno livre à administração para continuar o grande empreendimento que visa transformar o professor num operário acrítico.

Foi assim durante a prova: Enquanto procurava razões substantivas para justificar esta perda de tempo no trabalho do professor, ocorreu-me um pensamento divergente. Afinal, esta nobre função de vigilância pode ser considerada uma actividade educativa se acreditarmos que a simples presença do professor na sala de exame se transforma num factor gerador de segurança e de confiança para o aluno.
Pois…