A encruzilhada.

A educação foi ao parlamento por vontade do primeiro-ministro. Já me habituei a conter as expectativas sobre as incursões esporádicas dos nossos representantes políticos pelo empreendimento educativo. Tem sido, como se sabe, muita parra e pouca uva. Devido à complexidade do sistema educativo qualquer primeiro-ministro pode vaguear pela temática anunciando alterações avulsas mais ou menos elaboradas, normalmente inconsequentes, incapazes de promover alterações nas práticas educativas. Mais estudo acompanhado, alunos mais tempo na escola e mais disciplinas, mais inspecção para verificar se mais do mesmo tem como resultado mais do mesmo. O quadro tem sido este e ninguém se atreve a inovar. E porquê? Talvez porque a inovação e a reforma andam de braço dado e a ideia de reforma adoptou uma conotação negativa. Hoje, é politicamente incorrecto utilizar a expressão REFORMA e a comunicação social não perdoa os incautos que se atrevem a reclamá-la. Se a expressão foi abolida do discurso político [por influência de alguns comentadores mediáticos que satirizaram a expressão] surge, em algumas tertúlias, uma nova expressão: a RECONFIGURAÇÃO do sistema educativo. Reclama-se um sistema educativo radicalmente diferente que abandone a actual matriz organizacional e que edifique uma nova ordem educativa. Seria um sistema cuja plasticidade admitisse e conciliasse uma pluralidade de paradigmas educacionais. Seria um sistema mais adequado às exigências da sociedade de conhecimento em que vivemos e que suscitasse um novo quadro de relações entre a sociedade e as organizações produtoras e regeneradoras do conhecimento. Seria um sistema plural.

É esta a encruzilhada em que nos encontramos: Ou arriscamos a inovação instável ou persistimos na estabilidade dos erros.

Adenda:
Depois de ouvir (parte) do debate de ontem na RTP1 sobre o problema orçamental não me contenho perante a necessidade da reconfiguração do sistema educativo. É que começa, também, a fazer sentido apelar à reconfiguração do sistema político. E nesta matéria concordo com o Nuno, Os Ayatollahs da economia fazem parte do problema.

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