Os fins

Decorre deste texto do Manuel um olhar sobre o actual modelo de organização da escola.

Não existe acordo generalizado exógeno ou endógeno sobre a falência do modelo de organização da escola. Mas admitamos que esse acordo será indeclinável tendo em conta as exigências insatisfeitas que a sociedade vai observando a partir de uma presumida ineficácia da escola. Neste quadro, a discussão sobre um modelo alternativo seria obrigatório.

Cabe-me perguntar se esse modelo alternativo prosseguiria os objectivos que têm conferido sentido à educação, agrupando-se nas temáticas sugeridas por Sacristán:

  • A fundamentação da democracia;
  • O estímulo ao desenvolvimento da personalidade do sujeito;
  • A difusão e incremento do conhecimento e da cultura em geral;
  • A inserção dos sujeitos no mundo;
  • A custódia dos mais jovens, suplantando nessa missão a família?

O poder.

A educação é o poder mais alto. Embora o poder político seja o poder de referência, na base encontramos o poder pedagógico. Que boa forma esta de legitimar o poder do homem sobre o homem.

É neste quadro de convém perceber as movimentações sociais que visam limitar o acesso ao saber dos grupos economicamente vulneráveis. A massificação do ensino gerou a ascensão social de determinados estratos da população de parcos recursos económicos. A origem social deixou de constituir um factor determinante para o exercício de funções bem remuneradas.

Há que enquadrar a origem do nervosismo dos que bradam incessantemente pela crise da escola e que reclamam o direito de escolha da melhor escola para os seus.

Não sendo refutada a crença de que com a educação se alcança o maior bem-estar e a plenitude para os indivíduos e a sociedade, há que perceber que este discurso da crise e da ineficiência da escola satisfaz os arautos neoliberais.

O que mais me impressiona é a facilidade com que estes discursos foram assimilados pelo senso comum.