Um acordo que não beneficie o Chico-esperto!

07/11/2009 at 12:17 am | In Falácias | 8 Comments

Vou admitir que o Ramiro leu correctamenteas declarações de Isabel Alçada. Nas entrelinhas, o Ramiro notou a disponibilidade da ministra para aceitar o fim da divisão da carreira em troca de os sindicatos “engolirem” os efeitos do primeiro ciclo de avaliação docente.

Pergunta o Ramiro, e responde afirmativamente, se será uma solução justa e adequada. Eu considero que não porque a emenda seria bem pior que o soneto. A meu ver, uma solução que passe por aceitar o fim da divisão da carreira em troca de os sindicatos “engolirem” os efeitos do primeiro ciclo de avaliação docente seria uma solução injusta e inadequada, por duas razões:

Primeiro, não me agrada uma solução que legitime o Chico-esperto. É inadequada porque beneficiaria os “videirinhos” e oportunistas que se candidataram aos excelentes e muito bons com o objectivo de ultrapassar, “pela direita”, os colegas “resistentes”. Não me estou a referir, obviamente, àqueles que se candidataram às notas mais altas com o objectivo táctico de bloquear o sistema. Esses contentar-se-ão com uma menção honrosa.

Segundo, é injusta porque abandonaria os resistentes. Os professores que foram fustigados pelas suas direcções executivas, por razões que se prendem com a não entrega dos OI’s ou das FAA, deverão ser sempre protegidos pelos sindicatos durante a negociação.

8 Comentários »

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  1. Olá, Miguel.

    Acho, e voltamos ao de sempre, redutor e abusivo esse classificar de “chico espertos” quem almejou outra classificação para além do tecto de Bom.

    Não significa, necessariamente, um deixar de estar com quem lutava.

    Mas isto sou eu que me ponho para aqui a pensar….

    Abç

    • Viva, Tsiwari. Não, desta vez não tens razão porque não abusei generalizando e reduzindo ;)
      Disse, de modo explícito, que não me estava a referir àqueles que se candidataram às notas mais altas com o objectivo táctico de bloquear o sistema. Abraço.

      • Olá, de novo Miguel.

        Sem terem tão nobre objectivo, não me parece que seja lícito acusar alguém que quis exercer um direito que lhe assistia. A única forma de lutar não era a de abdicar…

        Como, na altura, referi na escola onde exerço funções – cada um saberá da corda que traz ao pescoço e de quão apertada ela estará…das responsabilidades que tem e de como pode ou não jogar com isso. Haverá alturas em que a carneirada não estará toda certa, há alturas em que imolar-se não é a melhor estratégia.

        E, repito, não acho que ninguém tenha o direito de acusar quem quer que seja. Cada um tomou as suas opções e assumiu (e continua a assumir) as consequências de tal.

        E estou à vontade para falar pois, como sabes, nem tive que tomar qualquer decisão nesse capítulo.

        Abç

        • O oportunismo é condenável, Tsiwari. Nenhum colega era obrigado a disputar as quotas dos MB’s e Excelentes. E não as disputando não se imolariam porque seriam avaliados de igual modo.
          É evidente que o fizeram de acordo com a lei, exercendo um direito, mas relembro que a nossa luta, a luta dos professores, tem sido um luta contra o direito, contra os direitos adquiridos por alguns (titulares) à custa dos erros de um legislador perverso.
          Abraço.

          • Oportunismo seria se não houvesse avaliação e fossem avaliados, automaticamente, com Muito Bom ou Excelente. Não foi o caso…

            E, salvo melhor melhor opinião e sem generalizar para TODOS, muitos dos que não quiseram ser avaliados não teriam outras motivações? Lembro que quem se sujeitou a esta avaliação teve muito trabalho!

            Abç

            • Uma boa liderança não exclui ninguém, conta com todos. Percebo-te perfeitamente, Tsiwari. Mas neste caso, não há volta a dar. Houve concorrência desleal pelas razões que já identifiquei. Quem concorreu às quotas sabia que o processo estava adulterado pelo processo de luta em curso.
              Concordo contigo quando questionas a benignidade das intenções de quem está na luta. Mas não caiamos no erro da anterior ministra, que achava que uma bomba atómica era um excelente instrumento para exterminar alguns vírus chatos.
              Abraço.

              • Confesso que me ri com essa da exterminação dos vírus.

                Essa concorrência, se [cruzes, credus!] se mantiverem as cotas, será sempre desleal…

                Abç

  2. Miguel,
    concordo em absoluto com a tua posição.
    Beneficiar golpadas não pode ser acessório.
    http://fjsantos.wordpress.com/2009/11/08/essencial-ou-acessorio/


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