Qual a estratégia de luta para o final do ciclo governativo?
22/07/2009 at 11:54 PM | In Pensar hereticamente, Resistência, Sindicatos, Zeco em campanha | 4 Comments
Já estive mais entusiasmado com a ideia de uma mega manifestação em final de mandato. Defendi esta ideia depois de perceber a obstinação do ME sempre e cada vez mais atado à sua estratégia de dominação da classe docente. Foi no rescaldo da manifestação de Maio e a contribuição deste evento para os resultados eleitorais negativos do Governo (presumo, obviamente, a indivisibilidade do partido do Governo com o Governo e com o candidato Vital do Governo) que apontei para a necessidade de uma nova mega manifestação de professores. Adivinhara nessa altura uma réplica dos efeitos de uma nova contestação, isto é, uma nova derrota eleitoral do PS. Relembro que a Manifestação de Maio ocorreu após um período relativamente longo sem contestação o que pode ter sugerido que existia um lastro de esmorecimento e de resignação dos professores. O número de manifestantes desfez essa hipótese e demonstrou ao ME e à opinião publicada que a relação do ME com os professores terminaria como começou.
A meu ver, foi a percepção de balcanização irresolúvel que terá levado os responsáveis do ME a caminharem firmes e hirtos (como uma barra de ferro) em direcção ao abismo, como se cada dia fosse o último dia da governação, como se cada “negociação” fosse a última negociação da equipa, como se o amanhã não existisse. Vejo sem surpresa, portanto, a intransigência do ME em todas as matérias sujeitas a negociação com os sindicatos.
A imagem do ME na opinião pública agravou-se. O último episódio público protagonizado pela equipa governativa a respeito das bolsas para os alunos do secundário ridicularizou a imagem do governo, descredibilizando-o fatalmente. Mais achas na fogueira poderão fazer virar o feitiço contra o feiticeiro. Mais achas na fogueira podem fazer despontar num certo eleitorado não professor (para os eleitores professores as acções de luta serão dispensáveis, digo eu) aquele sentimento de pena e de comiseração que por vezes nos faz tomar o partido dos mais fracos numa contenda desigual.
Não se trata de depreciar a equipa maravilha ou de a considerar arredada de uma vitória eleitoral. Nem tão pouco se trata de pensar que este PS é incapaz de renascer das cinzas depois de ter feito tudo para se queimar. Nada disso. Trata-se de encontrar a melhor estratégia de luta para o fim de ciclo governativo.
Vamos considerar, como hipótese académica, que o governo renasce das cinzas depois das férias. Que o ME abre um novo concurso para professores titulares e que passa para a opinião pública a ideia de que com este “nova” medida os professores foram reconquistados. Serão utilizados os números, previsivelmente elevados, de candidatos ao concurso para demonstrar essa reconciliação. E que até os opinadores mais consagrados acreditam na propaganda. Será que a plataforma sindical tem a sua máquina oleada? Será que é possível montar a tenda em Lisboa em apenas duas semanas? Há trabalho de casa para as férias? Os delegados e os activistas estão a ser preparados para o que der e vier?…
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