Empurrão
10/06/2009 at 12:12 am | In Resistência, Sindicatos | 2 Comments
Tudo leva a crer que o partido do governo irá entrar num período de reflexão e de questionamento das políticas traçadas por José Sócrates. Será interessante perceber se essa discussão interna se confinará ao “lamber de feridas” ou se irá emergir do interior do partido um sinal inequívoco de rompimento com as políticas que geraram o tal descontentamento do eleitorado vitimizado a que se referia Vera Jardim.
“Afirmou o Primeiro-Ministro, na noite eleitoral, que se iriam manter as políticas que têm sido tão contestadas pelos portugueses; se isso acontecer, com o Governo de Sócrates a insistir nas mesmas medidas e a desvalorizar o diálogo, a negociação e os Sindicatos, os professores e educadores manter-se-ão firmes na primeira linha do protesto e da contestação pública às suas políticas.” O Secretariado Nacional da FENPROF
A poucos meses das eleições legislativas, será pouco crível que o timoneiro e visionário comandante socialista inverta o sentido da marcha, até porque José Sócrates foi demasiado lesto a dizer, no rescaldo das eleições, que iria manter o rumo. Terá sido o orgulho ferido e a teimosia que lhe é peculiar que o levaram a afirmar o que afirmou? Talvez. Mas surpreender-me-ia muito se José Sócrates fosse capaz de reconhecer os equívocos da sua governação, designadamente, a revisão do ECD, a avaliação do desempenho docente, a gestão escolar e o estatuto do aluno.
E por ser muito improvável que José Sócrates reconheça os seus erros de governação é que desafio os professores a agendarem desde já a próxima manifestação de força e de determinação. Em Setembro devemos estar preparados para o último empurrão.
2 Comentários »
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Sócrates vai inverter (da forma menos clara possível) aquilo que tiver de inverter para se manter à frente do PS, quando agora emergirem as vozes da discórdia internas. Não vai ser fácil, porque a sua postura foi a de quem quer, pode e manda, porque tem 45% dos votos. E essa postura não é compatível com 26,7%. Não será fácil perceber como é que ele pode governar em minoria ou em coligação, e isto faz com que o impensável esteja à vista para o PS: a saída do poleiro. Abriu-se uma caixa de pandora e é difícil prever tudo o que vais air de lá de dentro.
Comentário por Henrique Jorge — 10/06/2009 #
Estou muito curioso para ver a metamorfose de José Sócrates, Henrique. Sabemos que é um verdadeiro artista quando representa para públicos amigáveis, só não sabemos o que ele vale quando representa para públicos hostis.
Comentário por Miguel Pinto — 10/06/2009 #