Contra-fogo.

06/02/2009 at 7:47 PM | In Pensar hereticamente, Sindicatos | 9 Comments

Que recursos devem ser alocados para se atingir o principal objectivo específico de luta – Revisão do Estatuto da Carreira Docente?

Não encontro melhor analogia a uma putativa estratégia sindical que passe pelo aconselhamento dos professores a entregar a ficha de auto-avaliação, depois de recusarem a entrega dos OI’s, do que a estratégia de combate a incêndios que recorra ao contra-fogo. Não sendo bombeiro, nem tendo qualquer aptidão para apagar fogos, percebo a necessidade de ser alocado o recurso ao fogo para se atingir um objectivo supremo de combate ao incêndio. Esgotados ou não outros meios, será condenável um corpo de bombeiros recorrer ao uso do fogo para combater o próprio fogo? Creio que ninguém condenará o processo, ao não ser que se entenda que este recurso é tecnicamente inadequado para atingir o objectivo.

Interroga-se o Paulo Guinote: Mas então há dirigentes sindicais que, querendo a suspensão do modelo como linha política inegociável, depois se preocupam em negociar a implementação concreta desse modelo, querendo mesmo que os PCE imponham os OI a quem decidiu não os entregar?

Há uma linha muito ténue entre a incoerência e uma estratégia de luta que recorra ao “contra-fogo” político. Mas é nesta linha que a luta irá ser travada, sem menosprezar, obviamente, a utilização de outros recursos que concorrem para o mesmo objectivo.

9 Comentários »

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  1. Miguel, não temos de concordar sempre com as orientações sindicais. Bom pergunta de Guinote.

  2. Zé Manel, de facto não temos de concordar sempre com as orientações sindicais e eu nunca o defendi. O que eu defendo é algo bem diferente. No momento actual, em que a dispersão dos professores face à diversidade de formas de luta é uma possibilidade bem real, é um erro enfraquecer a acção político-sindical. Não entreguei os OI’s e estou preparado para não entregar a ficha de auto-avaliação, se essa for a forma de luta adoptada. E fá-lo-ei não por uma questão de coerência mas por uma questão de estratégia de luta. O que eu defendo é uma acção política de “contra-fogo”. Se a estratégia de luta passar pela entrega da ficha de auto-avaliação para impedir que o incêndio se torne incontrolável, eu estou disposto a entregar a dita cuja. Para bom entendedor ;)

  3. Completamente de acordo, Miguel.
    Percebo a questão do Paulo, obviamente, no entanto – e não tendo entregue os objectivos, claro – interogo-me sobre o passo seguinte. Embora espere não ter de chegar a interrogar-me sobre tal, em Julho.
    Abraço.

  4. Miguel,
    A tua lógica – desculpa-me a sinceridade e franqueza – destina-se apenas a justificar o que eu acho injustificável, eplo menos de forma coerente.
    Porque não demonstras, em momento algum, o que faz esse teórico “contra-fogo”.

    Para mim é apenas claro que muita gente atira os outros para a fogueira desde que não se queime.
    Não falo de ti.
    Falo de alguns que, indirectamente e por esta via, defendes.

  5. Agradeço sempre a franqueza, Paulo. Presumo que não estamos a falar do mesmo quando evocámos a coerência. Eu refiro-me à coerência da estratégia de luta e tu referes-te à coerência entre duas acções de luta. É uma questão de escala. Já por aqui fiz referência à necessidade de tornar a estratégia de luta o mais imprevisível para o adversário. Ora, pensemos no que convém ao ME. Creio que não será necessário desenvolver mais a ideia.

    Quanto à questão da fogueira e dos diabinhos que andam por aí a comer as criancinhas… Que os há, disso não tenho dúvidas 8)

    Por falar em fogueiras, não será fácil esquecer a disponibilidade prometida, mas não cumprida, pelos professores em “n” escolas para a não entrega dos OI’s. Falta aclarar quem enganou quem.

  6. [...] Contra-fogo [...]

  7. Boa análise Miguel!

  8. Concordando genericamente com a ideia do contra-fogo, existem mais alguns argumentos para realizar a auto-avaliação:
    http://fjsantos.wordpress.com/2009/02/09/a-continuacao-da-luta-dos-professores-passa-pela-auto-avaliacao/

  9. [...] Miguel Pinto avançou com uma outra perspectiva, a que apelidou de contra-fogo, por analogia com uma das estratégia mais eficazes no combate a incêndios florestais. Esta [...]


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