Quadratura do círculo
21/12/2008 at 6:46 PM | In Falácias, Pensar hereticamente | 4 CommentsNão causa qualquer espanto a convergência de opiniões que emergem do interior da classe docente que alertam para o facto de ser necessário resolver rapidamente o diferendo ME/professores de modo a minimizar os danos na qualidade da oferta educativa.
Só que uma coisa é percepcionar o problema, outra bem diferente é encontrar a(s) solução(ões).
A elevada tensão entre os professores e o ME é a manifestação de um problema mais profundo: a quebra de confiança entre a tutela e os tutelados. O ME, usando os seus quadros de referência tortuosos, quer “recauchutar” 2/3 dos docentes porque crê na “cientificidade” do seu sistema de quotas e no modelo de avaliação que serve de pretexto para diminuir os gastos no sector. Os professores desconfiam da boa-fé de uma tutela que tem demonstrado falta de tacto político e hostilidade gratuita.
Como resolver o problema?
• Este problema de fundo resolver-se-á se for possível eliminar os tutelados substituindo-os por sujeitos de confiança. Apesar de ser evidente o esforço do ME em precarizar as relações laborais, ainda não chegou o momento de purgar o sistema com mão-de-obra docente mais dócil. Lá chegaremos…
• Este problema de fundo resolver-se-á se o governo não basear a sua estratégia eleitoral num estilo de governação belicista e num perfil de liderança autocrático. Com uma maioria parlamentar que permite os excessos da tutela, não é expectável uma alteração de “rumo” até ao fim desta legislatura; e mesmo que se viesse a alterar a postura do governo, seria sempre uma impostura.
• Este problema de fundo resolver-se-á se os professores, através das suas estruturas de classe, forem convincentes acerca da capacidade de auto-regeneração da classe.
Se isto não é a quadratura do círculo, então estou mesmo a precisar de férias!
4 Comentários »
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E não tens cara de Pacheco Pereira, Lobo Xavier ou Jorge Coelho, pronto tá bem, este foi para chefe da Mota – Engil, queria dizer António Costa.
A tal quadratura do pensamento único.
Boas festas. A malta de “dia” não aparece às festas da noite! Malandros. Assinei nova missiva entregue pelo camarada Abreu do comité central da secundária de Vizela. a luta Continua.
Comentário por josé manuel faria — 21/12/2008 #
“camarada Abreu do comité central da secundária de Vizela”??
Essa é boa, Zé Manel…
Gostei de ver a tua assinatura na dita cuja… e a luta continua, obviamente
Comentário por Miguel Pinto — 21/12/2008 #
Férias??!!! Shiu… olha se a Milu te ouve! Contenta-te com a interrupção da actividade lectiva e não a gastes a resolver problemas tão bicudos! Já rebateste as duas primeiras soluções, acho que fizeste muito bem em não matar a cabeça com a terceira
Comentário por IC — 21/12/2008 #
É isso mesmo, IC. Eu sei que o momento político não é o mais favorável para introduzir este tema mas, a meu ver, devemos defender a diferença e as especificidades da nossa profissão,… sempre! Por muito que custe aos arautos neoliberais, aos MSTavares da nossa praça, a docência requer medidas profilácticas. Para quê escamotear esta evidência?
Comentário por Miguel Pinto — 21/12/2008 #