Tapar o sol [da má governação] com a peneira [da autoridade]
07/12/2008 at 5:54 PM | In Politiquês | Leave a Comment“Das duas, uma: ou os professores inviabilizam o processo da avaliação na maioria dos 1200 agrupamentos escolares, e é então a autoridade do Governo que é posta em causa; ou a versão simplificada vai-se enraizando e o movimento de protesto perde força. Um dos dois campos perderá, sempre, a face.” (in: DN)
O editorialista parece ignorar as razões pelas quais o Governo arrisca pôr em causa a sua autoridade numa luta sectorial. Prefere enfatizar o lado bélico do diferendo ao invés de aclarar as causas do modus operandi político.
Se o editorialista pretendesse buscar as razões que motivaram o primeiro-ministro a correr o risco de sair perdedor, teria de elencar duas hipóteses: ou a situação governativa é periclitante e os resultados governativos estão aquém dos esperados face às promessas eleitorais, e a reforma (seja lá o que isso for) da educação seria a peneira pela qual o governo taparia o sol; ou o Governo quer mascarar a sua fraqueza face ao poder económico através de uma acção política musculada dirigida a um grupo sócio profissional aparentemente subserviente e tradicionalmente dividido.
Adenda: Ao evocar as reformas falhadas deste governo, dei por mim a reflectir sobre os critérios conceptuais que me permitem julgar a “qualidade” das reformas. É possível reformar sem inovar como é possível inovar sem progredir. Contudo, quer a reforma quer a inovação, para serem pedagogicamente relevantes, devem ter subjacentes uma ideia de progresso impregnado de uma componente ética: o progresso é moralmente bom.
Assim, nem a inovação é boa em si mesma, nem as reformas são boas em si mesmas. Temos pois que julgar as inovações a partir de uma instância de julgamento axiológica. De que adianta um progresso técnico, ou conceptual, ou formal, mas ser de facto uma regressão ética?
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