PS versus professores

29/11/2008 at 6:05 PM | In Avaliação do desempenho docente, Pensar hereticamente, Politiquês | 7 Comments

O secretário-geral do PS, José Sócrates, frisou este sábado que a avaliação dos professores é uma questão do primeiro-ministro, do Governo e do partido, não podendo ser encarada como um problema sectorial, noticia a Lusa.

Ao reconhecer que “o processo de avaliação dos professores é uma questão do Primeiro-ministro, do Governo e do partido, e não um problema sectorial”, José Sócrates assume, definitivamente, que pretende usar a Educação como bandeira eleitoral.

Neste momento está em jogo a sobrevivência política do primeiro-ministro a qual depende da vitória eleitoral (a maioria é cada vez mais uma miragem). Ao eleger a classe dos professores como adversários políticos, José Sócrates quer fazer desaparecer a oposição do seu alvo, desinscrevendo-a do real. É a técnica da não-inscrição a que se referia José Gil que soube desmontar com mestria a estratégia do governo após os protestos dos professores no pretérito 8 de Março. José Sócrates parece contar com a inabilidade política da classe e com o facto de a imagem popular do sindicalismo estar conotada com uma putativa esquerda. Sócrates, oportunisticamente, irá explorar até ao tutano esta ideia e esta estratégia.

Cabe à classe profissional responder com competência e estar à altura do desafio. A união da classe será a nossa força. É agora ainda mais evidente que é preciso muito mais do que uma boa argumentação técnica para desmontar os argumentos políticos do governo. E a greve do próximo dia 3 é o melhor argumento que os professores podem utilizar neste momento! A não participação no processo de avaliação, na fase seguinte, seria a contra-estratégia, usando a técnica da não-inscrição. Ao ser desvalorizado o modelo de ADD é esvaziada a sua relevância e o governo perderá um alvo operacional.

7 Comentários »

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  1. [...] In Outròólhar [...]

  2. Usar a mesma táctica contra eles, boa ideia. Possível se os professores assumirem os riscos inerentes com coragem. Em boa verdade a outra opção é apenas uma: a subordinação a esta “gente” por muitos, muitos anos. Espero que a classe esteja à altura dos tempos por que passamos e que tome consciência do que está em jogo. “É preciso avisar toda a gente”

  3. Desde o início que o problema sempre foi político.
    Ao contrário do que os sucessivos governos fazem passar, os problemas da Escola Pública são políticos e é em função das políticas que se resolvem as questões técnicas.
    Finalmente o 1º ministro foi obrigado a dizer em voz alta o que é óbvio. Trata-se de uma pequena vitória que conseguimos, mas não mais do que isso. A guerra está longe de estar ganha, vai ainda ser muito longa e exigir a todos muito sacrifício.
    Não vale a pena sonhar com a possibilidade de queimar etapas, porque esta guerra só será ganha por quem tiver a tenacidade de persistir.

  4. Receio que as benesses eleitoralistas do governo possam aliciar os professores menos atentos. Os títulos e as titularidades podem desviar os professores do essencial e legitimar aquilo que agora nos parece obsceno: a divisão iníqua da carreira. :(

  5. O divisionismo está a chegar. O Governo aperta e ameaça, muitos vão ceder.

    Não abram as portas da sala de aula aos avaliadores: boicote.

    Pensar em greves mais longas ( semana).

  6. José Manuel,
    esta é uma guerra longa. Temos que medir bem os nossos recursos e os do adversário, que os tem em maior número e de maior qualidade. Estamos na posição do guerrilheiro, do maquis, contra um exército poderoso. Há que ser inteligente, persistente, flexível e criativo.
    http://fjsantos.wordpress.com/2008/11/30/passos-seguros-ate-a-vitoria-final/

  7. Miguel: o teu olhar, mais uma vez, viu muito bem a realidade e o caminho a percorrer! :)
    Abraço


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