A excelência apolítica e a proletarização docente.

24/11/2008 at 10:07 PM | In Pensar hereticamente | 3 Comments

Sobre o conturbado processo de avaliação de professores, Jacinta Moreira, já com 20 anos de carreira, considerou tratar-se de um processo “muito complexo”, escusando-se, contudo, a tecer mais considerações sobre a matéria. “A educação é a minha prioridade. Sou professora, não sou política, cada escola é uma realidade muito concreta e tem desafios muito particulares”, afirmou.

Há, de facto, uma panóplia de representações sobre o que é, ou deve ser, a excelência profissional. O que me leva a pensar que um entendimento plural da excelência deve ser incompatível com qualquer espartilho legal que foi ou venha a ser imposto pelo ME. Considero que é um anacronismo atribuir um Prémio Nacional do Professor. Mas, por outro lado, há uma extrema coerência do júri na atribuição do Prémio Nacional do Professor: a excelência apolítica é uma manifestação do paradigma da proletarização docente que tem vindo a ser caucionado por este governo.

3 Comentários »

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  1. Tens absoluta razão.
    Por isso seria impossível que um tal prémio fosse atribuído a um Professor que se recusasse a vender a sua dignidade, mesmo que a troco de um ano de salário proletarizado. :(

  2. Ao ponto que isto chegou, Miguel. Temo, cada vez mais, pela sobrevivência da escola pública. Um dia, terá uma reinvenção. Abraço.

  3. “Sou professora, não sou política …” Como se engana esta colega! Assim se vê como alguns muito bons não entendem coisa alguma sobre o seu trabalho nas escolas … Se estivesse na Grécia Antiga era considerada uma “idiota” = centrado apenas em si mesmo e nos seus interesses particulares.


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