O que vale um amuo ministerial?

23/11/2008 at 5:23 PM | In Avaliação do desempenho docente, Pensar hereticamente, Sindicatos | 3 Comments

Sou um defensor da negociação. Contudo, não creio que possa haver negociação sem fixar limites do negociável!

Dois anos lectivos atípicos, uma enorme convulsão escolar cujas consequências são imprevisíveis ao nível dos resultados educativos, enfim, a entropia generalizada no sistema escolar foi o resultado de uma estratégia desastrada deste governo que prescindiu da negociação a favor da imposição. O governo nunca pretendeu negociar as suas “reformas” e o saldo da governação é, a alguns meses do final da legislatura, profundamente negativo. Seria um erro ainda mais lastimável se o governo não aprendesse com os seus equívocos: as políticas gestionárias autocratas não são, de facto, compatíveis com o interesse público!

A ministra já reconheceu alguns erros. Acabou de anunciar um conjunto de paliativos para minimizar alguns dos problemas que foram insistentemente denunciados pelos professores e as suas organizações representativas. Os mesmos que antes haviam protestado contra a inércia do ME mantêm os protestos e solicitam a suspensão do modelo de avaliação porque o consideram inexequível. A ministra repete as mesmas cenas do passado, mantém a mesma atitude anti-negocial e parece ignorar os avisos.

A plataforma de sindicatos abre, uma vez mais, a porta à negociação e estabelece os limites daquilo que considera ser negociável: Suspender o sistema actual de avaliação e iniciar um processo negocial para traçar um novo sistema a aplicar no próximo ano.

Pergunto se não será uma perversão ter de aguardar pelas consequências deste modelo iníquo e inexequível em vez de atacar já as suas causas só para não ter de melindrar a senhora ministra e a maioria que nos governa?

3 Comentários »

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  1. “Neste processo não há entendimento possível com o ME. Não há solução intermédia entre suspensão e aplicação. Sem suspensão não há qualquer hipótese de negociação com o ME e toda a luta se manterá! A negociação de um novo modelo deve fazer-se no quadro da revisão do ECD e quanto a uma solução transitória para este ano, apenas para quem precise, tem por pressuposto obrigatório a suspensão da avaliação”

    Mário Nogueira, 23 de Novembro, 18 horas

    Um abraço. Mariazeca

  2. Obrigado, mariazeca. :) As declarações do Mário Nogueira estão aqui: http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=266&doc=3799&mid=115

  3. Nada, Miguel! Os amigos do norte informam-se sempre… :)


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