Não sei se hei-de rir…
16/11/2008 at 11:16 PM | In Falácias, Politiquês | 6 CommentsA ministra da Educação assinou hoje um despacho, que entra em vigor segunda-feira, que “clarifica de uma vez por todas” o regime de faltas e desobriga os alunos com faltas justificadas à realização de um exame suplementar. (JN online)
O despacho não clarifica a lei. O despacho altera a lei, o que não deixa de ser, no mínimo, insólito (ou talvez não vindo de onde vem)! O artigo 22º é bem claro, como escrevi mais em baixo.
E quando digo que não sei se hei-de rir é porque o “simplex”, ou a simplificação de processos e medidas, é pau para toda a colher. Será que o pretexto da simplificação serve apenas os interesses da tutela remendando leis obtusas e corrigindo trajectórias políticas erradas? Será que os professores também podem requerer a figura da simplificação para tudo justificar?
Um contentamento descontente :)
16/11/2008 at 6:34 PM | In Pensar hereticamente, Sindicatos | 3 CommentsA mensagem corre pelas caixas de correio electrónico e faz parte de um documento aprovado em plenário de professores (de várias escolas) na ES Alberto Sampaio, na cidade de Braga. Além de uma proposta à Plataforma Sindical para a convocação de uma greve nacional «até que se demita a equipa do Ministério da Educação» (cujo grau de exequibilidade é zero), estes colegas “Solicitam a todos os agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas que enviem um, ou dois representantes, para participar no Encontro Nacional de Escolas, que pretendem realizar, e salientam que «os professores têm que encontrar formas democráticas de serem ouvidos e de serem tidos em conta nas decisões de luta».”
O Francisco já deu o mote: sindicalizem-se para, no interior da organização, “lutar pela modificação das estruturas, dos actores e das políticas.”
Não será por falta de oferta porque há sindicatos para quase todas as sensibilidades. Mas se a ideia é inovar, então há um espaço livre: A zona cinzenta entre a actual ANP e o movimento sindical. Seria a zona de um contentamento descontente.
Pela defesa de uma profissão em vias de extinção.
16/11/2008 at 3:54 PM | In Pensar hereticamente, Reabilitar a escola | 1 CommentSe há alguma convergência nos discursos que emanam do interior da classe docente em torno da acção reivindicativa contra as políticas educativas deste governo, essa convergência retórica parece concretizar-se na ideia de UNIÃO. Apesar de se notar alguma dificuldade das lideranças em materializar essa ideia, quer dos movimentos recentes, quer das direcções das estruturas sindicais, a generalidade dos professores lida mal com qualquer tentativa divisionista que enfraqueça a luta.
Embora exista um elevado consenso sobre a urgência da UNIÃO em tempo de crise, será interessante (na perspectiva de quem gosta de reflectir sobre política e micro-política) perceber como é que cada uma das organizações de classe consegue disputar um terreno político de afirmação (política interna) sem quebrar as pontes de entendimento entre si e lutar lado a lado contra um agressor externo (política externa).
Olhando para esta questão com o distanciamento afectivo necessário de modo a não ofuscar a equidade, vejo este problema entre sindicatos e movimentos como uma simples equação organizacional que encontra um paralelismo nas chamadas razões de Estado. Aí, há razões superiores que devem prevalecer nas lutas político-partidárias. Aqui, a razão superior é a defesa de uma profissão em risco de extinção.
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