Conotação política da recusa dos pedidos de suspensão da avaliação.

13/11/2008 at 11:11 PM | In Avaliação do desempenho docente, Pensar hereticamente, Sindicatos | 3 Comments

A pergunta retórica do PGuinote é a seguinte: Mas porque lhe pediram? A pergunta incide sobre a notícia de que a Ministra da Educação recusou todos os pedidos de suspensão de avaliação dos professores.
Estou convencido de que o pedido de suspensão da avaliação dos professores é, como a pergunta, um artifício retórico. Nenhum professor acreditará, digo eu, que a ministra suspenderia a avaliação mesmo que tivesse os 150 mil professores ajoelhados à sua frente rogando a suspensão. Esta ministra da educação não é sensível a argumentos exógenos à sua tribo e muito menos será impressionável a manifestações de desagrado. Não precisarei de recuar muito no tempo, apenas uns dias, para fundamentar esta minha crença.

Sendo expectável a recusa dos pedidos de suspensão da avaliação, por que razão é que os professores e as escolas insistem em acções aparentemente inócuas e inconsequentes?

Os problemas dos professores são, essencialmente, políticos: A defesa da escola pública de qualidade, a dignificação da função docente, as batalhas que visam alterar o ECD e a avaliação do desempenho docente, etc., etc. É no terreno político que estas batalhas se disputam. E não se pense que a escola é um oásis apolítico. Bem pelo contrário. É na escola, que bem conhecemos, que devemos travar as nossas lutas embora não devamos desprezar todos os outros espaços extramuros onde se joga a decisão política. Precisamos mais do que nunca do empenhamento e da participação das nossas organizações de classe para travar essas batalhas: Necessitamos de sindicatos pró-activos e vigilantes.
Ao enviarem para a ministra da educação um pedido de suspensão condenado ao fracasso, os professores asseveram que não é aceitável que a senhora ministra alegue, em público ou em privado, que desconhece que o processo de implementação da avaliação do desempenho é obtuso, que o processo induz a entropia nas escolas, que os professores preferem a negociação ao confronto directo. Resta à ministra alegar o interesse público das medidas embora não fique dispensada de fundamentar onde é que ele reside.

Há escolas, provavelmente uma minoria, que não enveredaram por esta via. Escolheram passar para outra fase da luta. Optaram pela via da acção directa: Desrespeitaram a lei e suspenderam unilateralmente o processo. A sua acção deve ter outra conotação política. E por essa razão, deverá ser usada outra lente de análise porque entramos no domínio do confronto e da resistência activa.

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