Bluff…

31/10/2008 at 10:57 PM | In Avaliação do desempenho docente, Falácias, Politiquês | 10 Comments

Professores sem avaliação não progridem na carreira – adverte ministra

E com avaliação, os professores progridem na carreira?

Como professorezeco, não titular, atingi precocemente o topo da carreira (na prática estou a 2 escalões do topo) de forma coerciva. Como eu estarão milhares de professores. Todos sofremos os efeitos da perda do poder de compra ao longo dos últimos anos, efeitos que parecem irreversíveis. Não vislumbro alterações deste quadro enquanto o ME persistir em cobrar aos professores os erros de gestão das finanças públicas que ele próprio e os antecessores governos cometeram.

Creio que a senhora ministra pensa que a ameaça do retardamento da progressão na carreira será suficiente para dissuadir a resistência dos professores fazendo-os baixar os braços diante de um modelo de avaliação iníquo. Se pensa, pensa mal. Não estou a insinuar que os professores são insensíveis à questão material ou que a progressão na carreira deixou de preocupar os docentes. Estou apenas a dizer que os professores são profissionais do pensamento. Sabem identificar com alguma facilidade a teoria da cenoura do chicote (já perceberam que me deixo levar com alguma facilidade para as generalizações ;) ).
Parem de menosprezar a nossa inteligência!

(Imagem aqui)

10 Comentários »

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  1. Actualmente, há 450 professores que estão a tempo inteiro nos sindicatos.
    Ou seja, o Estado, via Ministério da Educação, paga-lhes para ser…. sindicalistas.
    Nenhuma dessas pessoas dá aulas, ou pensa voltar às escolas.
    Alguns, os mais conhecidos, estão há décadas nessa situação.
    No total, esses sindicalistas custam oito milhões de euros por ano.
    Os destacamentos deles para essas funções passam pelo Ministério da Educação…

    Lição da história: eles, como “sindicalistas”, têm que fazer de vez em quando o seu número de “opositores” ao Ministério…
    Em troca, convém-lhes nunca esticar muito a rédea, porque sabem quem a segura.
    Na hora decisiva, o Ministério tem-nos na mão.
    Na prática, são sindicalistas-funcionários, são assalariados do Ministério.
    Os professores, são o pretexto para o emprego deles…

    Ponderei seriamente participar na manifestação de dia 15. Agora vou ficar em casa se os professores gostam de andar debaixo da batuta dos traidores dos sindicatos é lá com eles, eu é que para esse peditório já dei.

  2. Ó vitor ramalho, não há nada que o incomode na sua escola neste momento? Parece-lhe que está tudo bem na sua e nas outras? Se a isto responde afirmativamente, então fique em casa. Veja a bola.
    Se ponderou ir a 15 por que desiste? A manif de 15 foi marcada por todos e por ninguém. Nasceu aqui pela blogosfera. Ninguém comandou. Foi a raiva que todos vamos sentindo e a força que nas escolas fomos ganhando para rejeitar tudo isto que fez marcar a manif. è uma expressão geral de descontentamento e manifestação de disposição para a luta. Ninguém é o dono da manif de 15. É a essa que eu vou.

  3. A manifestação do dia 15 é uma manifestação de professores a do sai 8 é uma manifestação dos sindicatos.
    Depois de conversar com alguns colegas, vou pensar a em rever a minha posição.
    Se no dia 15 os professores estiverem em massa, matam dois coelhos de uma cajadada os burocratas dos sindicatos e a sinistra ministra, mais se conseguirem a adesão de alunos e pais, temos a cereja em cima do bolo.

  4. Vitor Ramalho, a sua argumentação, que não é original, parece fazer sentido, mas, do meu ponto de vista, revela um certo desconhecimento da vida sindical e de como se processam os destacamentos. Quem decide se um certo professor é ou não destacado para um sindicato é o próprio sindicato. O mInistério limita-se a pagar o vencimento do professor, porque é professor, tal como faz com todos os outros. Assim, está fora de questão que o ME decida que certo professor termine o seu destacamento sindical porque defendeu este ou aquele ponto de vista. Simplesmente não tem uma palavra a dizer sobre o assunto. Isso já não se passa, por exemplo, com os destacamentos para os orgão oficiais do ME, como casos recnetes bem o demonstram. Para além disso, há que dizer que alguns sindicalistas continuam a sua vida escolar como era (e penso que continua a ser) o caso do presidente do SPGL, António Avelãs, que mantém a sua actividade docente na Escola Superior de Dança. Para já não falar nos inúmeros delegados sindicais nas escolas que são, simultaneamente, professores.

  5. Claro que quem decide os destacamentos são os sindicatos.
    Mas não deixa de fazer sentido a questão dos pagamentos.
    Como também faz sentido o pagamento em “promoções”.
    Vejam quanto professores titulares são sindicalizados?

  6. Sim, em abstracto faz sentido, mas, no caso concreto, acho que tem pouco significado. A relação patrão-empregado do ME e professores é muito mais formal que numa empresa e revela-se de outros modos. Não acredito que os sindicalistas se sintam condicionados por esse vínculo laboral.

  7. Colegas:
    Estou com os colegas que não desarcaram a manif. de 15. E ainda bem. E vou lá estar.
    Ainda bem que a net tem funcionado como elemento de informação,e de agregação de professores. O termo é político, mas o Pierre Bourdieu trouxe-o para outros campos,são a vanguarda. Os sindicatos são os sacerdotes( via Max Weber) e fazem parte, de alguma forma, do campo do poder.
    Mas parece-me , por uma série de circunstâncias, que são os que vão ter uma maior capacidade de mobilização. Ainda…
    E é importante que haja claramente uma posição de classe dos professores contra toda esta política deseducativa. A suspenção da avaliação só adia os problemas.
    A simplificação das propostas dos nossos objectivos individuais para dois ou três é uma bala embrulhada em pape de rebuçado, porque nas fichas de auto avaliaçao, nas do P. C.E., e na do Avaliador do Departamento, está lá, mais do mesmo, é uma teia de aranha.E uma espécie de catecismo, em que, os professores que durante toda a sua prática profissional, trabalharam para a excelência, agora ,têm de brincar ao faz de conta que fazem o pino, para melhorarem e corrigirem não sei o quê.
    Vou às duas Manifestações. Mas ainda bem que vai haver a de dia 15, dessa não vou ficar com amargos de boca.

  8. Estou parcialmente de acordo com o comentário da Alice. Estou de acordo com a necessidade olhar para a política (des)educativa como um todo, i,é, é necessário recentrarmos, sistematicamente, o alvo da contestação e da acção: a avaliação do desempenho docente é apenas um dos obstáculos que é necessário derrubar antes de chegar ao famigerado ECD.

  9. “a avaliação de desempenho é apenas um dos obstáculos que é necessário derrubar antes de chegar ao famigerado ECD”

    Tudo farinha do mesmo saco (azul – das poupanças por baixo de mão). O derrube só pode ser simultâneo. Essa sua tendência para as mansas negociações! Não está já claro o desastre que tudo isto significa?

  10. Mansas negociações, setora :lol:

    Não serei a pessoa mais informada sobre as lides tauromáquicas, mas tenho para mim que nem sempre as pegas de caras serão as mais eficazes. A pergunta que se deve colocar é a seguinte: De caras ou de cernelha? Direi que depende do animal a pegar ;)


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