Tiros na água.
18/10/2008 at 11:48 AM | In Avaliação do desempenho docente, Falácias, Pensar hereticamente, Sindicatos | 9 Comments“Um conselho de amigo aos sindicatos: meçam forças com a ministra, não meçam forças com os professores. Os movimentos difusos vieram para ficar, vão acabar por vencer, e se nessa altura os sindicatos estiverem do lado institucional (ou seja, o da ministra) vão ficar entre os derrotados. Não peçam aos professores que se juntem a vocês: juntem-se vocês aos professores. Marquem a manifestação para o dia 15. E se quiserem pôr-se à frente, nós até deixamos, como deixámos a 8 de Março.” José Luiz Sarmento
Retomo um comentário do colega José Luiz Sarmento no blogue do Francisco Santos para aclarar um dos equívocos que têm marcado inúmeros comentários no recente diferendo movimentos /sindicatos de professores.
O comentário do JLSarmento aparentemente conciliador é parcial quando coloca nas mãos dos sindicatos a solução do problema da conciliação entre movimentos e sindicatos de professores. Aliás, este comentário pode servir de padrão para o diferendo que foi artificialmente criado entre professores para permitir a necessária catarse dos problemas, designadamente, a deterioração das condições de trabalho e dos climas de escola. O deslocamento do foco da contestação pode ser explicado pelo autismo do ME que não tem permitido aos professores purgar a agonia que marca o seu dia-a-dia. Como José Gil tão bem notou, o ME deixa intactos os meios de contestação mas faz desaparecer o seu alvo (institucional). Paradoxalmente, os sindicatos acabaram por representar esse alvo e o protocolo de entendimento foi o pretexto para centrar a contestação.
Os conflitos inter-pares que extravasam as paredes da escola e são focalizados nos sindicatos terão sido a solução artificial encontrada para a catarse de frustrações profissionais.
Esta é a razão de fundo que fez emergir uma cascata de recomendações aos sindicatos, mais ou menos paternalistas, agora transformados em bodes expiatórios.
Será legítimo então que me interrogue sobre o alcance de tais recomendações e se elas não revelam o profundo estado de alienação colectiva em que nos encontramos.
9 Comentários »
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Miguel,
excelente análise!
Não me tinha ainda percebido em que medida muitos colegas mostram tanta animosidade contra a plataforma sindical, como forma de compensar a frustração que sentem por não terem coragem de se opor aos seus PCE’s e aos seus mega-coordenadores/avaliadores, quando estes se comportam como o braço armado do ministério dentro das escolas.
Ao contrário do tiro na água a que aludes no teu post, a tua análise é um verdadeiro tiro na mouche!
Comentário por fjsantos — 18/10/2008 #
Desculpe, Miguel, mas vi como este senhor da mouche se comportava com os colegas e alunos. Agora apoia sindicatos! E quer desmascarar “os braços armados”. Grande andamento.
Não acredito na senhora de Fátima, não acredito em conversões. Quem não o conhecer que o compre.
Comentário por setora — 18/10/2008 #
setora
O maior contributo que podemos dar à discussão é atacar as ideias e não os autores das mesmas.
Comentário por Miguel Pinto — 18/10/2008 #
Tem razão mas como não é esse o guião desse senhor, a minha paciência esgotou-se.
Comentário por setora — 18/10/2008 #
[...] A propósito do diferendo que opõe alguns professores e o entendimento, mas também de alguém que obsessivamente pensa que eu estou à venda, e diz aos quatro ventos que não me quer comprar, [...]
Pingback por As três peneiras « (Re)Flexões — 18/10/2008 #
Miguel, concordo com o fjsantos: acertas na mouche!
)
(E “As três peneiras” são outro bom tiro na mouche
Comentário por IC — 19/10/2008 #
Pena que só agora o senhor tenha conhecido a história. E, conhecendo-o, duvido que seja dela bom intérprete.
Comentário por setora — 19/10/2008 #
Será um “tiro no moustache” do Nogueira?
Comentário por neno — 20/10/2008 #
Ainda o verão acabou há pouco e já andais a precisar de praia?! Valha-nos santa Lucrécia maila a melamina, senhor…
Comentário por Jorge Guimarães — 22/10/2008 #