Um modelo incoerente só pode ter um destino: o caixote do lixo.
01/10/2008 at 10:07 PM | In Avaliação do desempenho docente, Pensar hereticamente | 8 CommentsO Ramiro considera que a principal crítica ao actual modelo de avaliação de desempenho é o facto de ser um modelo que impõe uma avaliação entre pares. É essa avaliação entre pares que o torna injusto, parcial e burocrático.
Passemos então à controvérsia:
Observemos o modelo de avaliação do desempenho em busca do seu quadro de referência. O que vemos? Vemos um modelo híbrido:
• Centrado no perfil do professor onde se avalia o desempenho de acordo com o grau de concordância aferido em relação a características de um perfil previamente determinado. Definido o professor ideal é necessário perceber quão distante se encontra o professor situado.
• Centrado nos resultados escolares que transforma o professor em responsável principal dos resultados obtidos pelos alunos.
• Centrado na prática reflexiva assumidamente formativa do professor.
Ora, o problema principal deste modelo que nos foi imposto pelo Ministério da Educação é a tensão gerada por concepções de avaliação conflituantes. Por um lado, o professor é encarado como um operário acrítico que se deve limitar a executar as ordens emanadas das chefias; por outro, exige-se do professor uma elevada capacidade reflexiva que, paradoxalmente, o leva a questionar permanentemente o sentido das ordens superiores. É esta perspectiva funcionalista da função docente, funcionalista porque se limita a uma verificação burocrática de que o professor cumpriu os pré-requisitos constantes no seu perfil funcional, que me leva a afirmar que se trata de um modelo redutor que não é capaz de captar informação significativa gerada no acto educativo – afinal, a essência da função educativa.
O problema do modelo não se encontra na co-avaliação ou na participação dos pares na avaliação do desempenho. O principal problema deste modelo é o rol de incoerências que decorrem das características do próprio modelo [híbrido].
Não é a avaliação entre pares que torna o modelo injusto, parcial e burocrático. Se a avaliação fosse realizada por outrem seria igualmente um modelo injusto [porque exige que o professor assuma a responsabilidade pelos resultados obtidos pelos alunos], parcial [porque não capta a essência do acto educativo] e burocrático [porque transforma o professor num manga-de-alpaca].
A solução para o problema não é dispensar os pares da avaliação. A solução para o problema é optar por um modelo que seja coerente. E de preferência que esse modelo fique centrado, exclusivamente, na prática reflexiva. Esse é o meu modelo!
A segunda questão que se coloca é a simplificação do processo como forma de garantir a sobrevivência profissional. Sobre esse assunto não quero ser redundante e por isso remeto a discussão para o Aragem.
Implosão
01/10/2008 at 7:51 PM | In Avaliação do desempenho docente, Falácias | Leave a CommentAinda pensei ser capaz de alcançar o limite do absurdo em matéria de avaliação do desempenho.
E não se trata de uma questão de transcendência porque o termo pressupõe algo de sublime…
(Um agradecimento à Fátima André por me revelar algo que era inimaginável.)
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