Sentimento de insegurança e o silêncio conivente.
30/09/2008 at 10:13 PM | In Avaliação do desempenho docente, Pensar hereticamente | 3 CommentsÉ consensual a ideia da existência de um ambiente geral nas escolas que se caracteriza por uma receptividade difícil ao novo Modelo de Avaliação de Professores. Aliás, este sentimento é perceptível através de testemunhos de colegas oriundos de todos os pontos do país recolhidos em vários fóruns de discussão, nomeadamente, na blogosfera docente. É o sentimento de descrédito na Avaliação de Professores e no seu contributo para o Desenvolvimento Profissional, o que revela a existência de uma visão pessimista de que é impossível “fazer bem” aquilo que a lei manda fazer. Este clima é agravado pelo ambiente de conflitualidade mais ou menos latente entre intervenientes, que poderá ser justificado pela falta de confiança mútua entre professores face aos colegas titulares. Por outro lado, existem problemas que resultam da desinformação suscitada por diferentes interpretações da lei, da entropia nas escolas gerada pela incontinência legislativa deste governo e pelas limitações objectivas do sistema de avaliação imposto.
A meu ver, o sentimento de desconfiança surge agregado a um sentimento de insegurança, que pode ser traduzido pela seguinte questão:
Será que a nossa formação inicial, gerada pela instituição do ensino superior que nos acolheu e cuja marca de profissionalidade é indelével, evoca aquele professor de formato único que surge plasmado nas grelhas do ME?
E se não me encaixo nesse perfil funcional, o que têm a dizer as escolas de formação de professores? Será que o aperto financeiro em que vivem pode justificar o silêncio conivente com as políticas deste governo?
Preso por ter cão, preso por não ter…
30/09/2008 at 12:02 AM | In Falácias, Sindicatos | 9 CommentsCorrendo o risco de encontrar conflitos estéreis e inoportunos, se entendermos que o momento deve ser de união, as afirmações que a blogosfera docente vai produzindo sobre a estratégia sindical não me deixam indiferente. Não estou particularmente inclinado a fazer de advogado de defesa de qualquer estrutura sindical, porque não tenho essa pretensão e muito menos a legitimidade para o fazer.
O que importa é buscar o contraditório e perceber o sentido da crítica.
Moriae escreve no blogue a sinistra ministra que “Não se entende o que pretendem os sindicatos … Na realidade, sempre foram um bocado nódoa no que diz respeito à Educação Especial … (OK, não todos porque não conheço mas … os exemplos a que me refiro comprovam lindamente o que penso …)”. Este pequeno reparo destaca a opinião do Ramiro que considera que “Há algo de misterioso na posição dos sindicatos” porque terão mostrado indiferença à concentração realizada por algumas centenas de colegas, em frente do ME, na 5 de Outubro.
Se os sindicatos decidem apoiar as iniciativas que lhes são alheias (relembro as teses que defendiam o efeito pendura dos sindicatos na concentração do 100 mil), são oportunistas e manipuladores.
Se os sindicatos não decidem apoiar iniciativas que lhes são alheias, “há algo de misterioso e com esta atitude dão força aos que apelam à desfiliação sindical.”
Por favor, decidam-se!
E para que não se pense que esta crítica é unilateral, importa saber se, por mais legítimas que sejam as reivindicações (e será o caso desta), devem os sindicatos abandonar ou não as suas próprias agendas e correr atrás das iniciativas dos promotores ad hoc? Esta questão remete-me para uma outra, a de saber quem deve definir a agenda sindical?
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