O silêncio é de ouro.

26/09/2008 at 12:02 AM | In Sindicatos | 8 Comments

Pergunta este colega pelos sindicatos. “Onde estão?

Esperávamos uma palavrinha sobre este assunto: a Avaliação dos Professores! Já não digo uma tomada de posição firme, mas algo… uma palavrinha nas televisões. Aliás, sem as Associações criadas ad hoc não tínhamos conseguido juntar nem metade dos 100 mil professores, que desceram a Avenida da Liberdade.

É FRUSTRANTE ter depositado tanta confiança nos Sindicatos, naquela Mega-Manifestação. E agora? NADA!

Neste início de ano lectivo nem uma palavra, uma iniciativa, que mostrasse o descontentamento, a desmotivação dos Professores.

Não deixa de ser curioso que esta questão seja colocada pelo editor de um blogue de uma associação auto-intitulada ad hoc de professores. Não é que esteja particularmente interessado em alimentar qualquer tipo de querela entre colegas, mas não me parece genuína esta preocupação porque é contraditória face ao discurso da falência da acção sindical. Numa latitude diferente, alguém me confidenciava, longe de ser considerado “activista”, que sentia estranheza pelo pretenso apagão sindical.

Confesso que fico muito mais optimista quando constato que professores, mais ou menos distantes do movimento sindical, potestam pela pretensa acção inócua dos sindicatos nesta abertura do ano lectivo. Começar por sentir a falta dos sindicatos é um bom ponto de partida.  É que todos precisamos de todos para lutar contra quem promove a desqualificação da função docente…

Um novo 8 de Março deve ser cada vez menos uma miragem!

8 Comentários »

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  1. “Não deixa de ser curioso que esta questão seja colocada pelo editor de um blogue de uma associação auto-intitulada ad hoc de professores. Não é que esteja particularmente interessado em alimentar qualquer tipo de querela entre colegas, mas não me parece genuína esta preocupação porque é contraditória face ao discurso da falência da acção sindical”

    As pessoas para falarem devem no mínimo ter algum conhecimento de causa do que escrevem. Se todos os professores se dessem ao trabalho de realizar o trabalho diário há meses, anos do Ilídio e outros colegas de divulgar diariamente por mails informações aos seus colegas era de louvar. O blog como devia perceber é uma forma de tal não ser tão esgotante. Faça a sua parte. Se for ao arquivo do blog verificará que tudo o que tinha ou tem relevância sindical lá está bem noticiado e informado.

    Muita tontaria.

  2. “Confesso que fico muito mais optimista quando constato que professores, mais ou menos distantes do movimento sindical, potestam pela pretensa acção inócua dos sindicatos nesta abertura do ano lectivo”

    O que é que você sabe sobre esta matéria para estar a fazer esta afirmação? Informo desde já que muitos destes colegas que colaboram na mobilização e união dos professores têm até actividade sindical activa. Há poucos dias estava no blogue o nome dum professor que concorreu em lista própria, nas últimas eleições SPGL,

  3. … que postava com o Ilídio!

    Tomara haver muitos Ilídios, generosos, despretensiosos e civicamente cidadãos. Já agora como eu (também).

  4. Há vários anos que venho constatando a falta de iniciativa, de dinamismo dos sindicatos de professores e, em particular, por serem os mais representativos, dos que fazem parte da FENPROF.
    Já por várias vezes troquei comentários com o Miguel sobre este tema. Continuo a considerar o Miguel um optimista neste ponto, e espero que o meu pessimismo não seja real, mas continuo cada vez mais desiludido com a actuação dos sindicatos.
    A referida manifestação de força de 8 de Março foi uma iniciativa dos sindicatos? A mim pareceu-me que não, pelo menos na sua origem. E não devia ter sido?
    E depois disso o que aconteceu? Eu vivo no deserto…por isso talvez não aconteça nada.
    Os sindicatos estão como o país…adormecidos.

  5. Talvez o Miguel Pinto desconheça que o tal blogue de que retirou o post tem desde a 1ª hora um link directo ao seu blogue. Talvez que o Miguel Pinto se tenha esquecido que foi dos primeiros a ser explicitamente convidado para uma troca de opiniôes e pontos de vista informal sobre alguns aspectos de entreajuda entre todos suscitada por estes colegas. Está no direito de não querer participar até para defender com argumentos o seu ponto de vista.

    Creio que só alguém doido é que pode ter uma posição “anti sindical” ou então os seus interesses são outros, se bem me faço entender.
    Agora existe toda a legitimidade dos professores, sobretudo os sócios, de lhes apontarem críticas no sentido de melhorarem o seu trabalho. Aquela de existir “espaço” dentro dos sindicatos para tomadas de posição dos associados é anedótico.
    Todos somos importantes. Desde que estejamos de boa fé.

    Nada de dar tiros nos pés, certo Miguel?

    Discutir alguns aspectos na praça pública de estratégia sindical parece-me muito muito saudável. Todos somos poucos.
    Disse.

  6. Ana
    Não me vou deixar enredar com tricas que nada acrescentam à discussão. Não confundo uma estrada da Beira com a beira da estrada e quero continuar a respeitar quem defende ideias contrárias às minhas. Desejo que o Ilídio (cujo blogue acompanho diariamente graças à tecnologia RSS) continue activo e que a Ana prossiga na defesa daquilo considera importante ser defendido. :)

    Adkalendas
    Creio que a minha posição tem sido clara quanto ao papel dos sindicatos na defesa da escola pública e na revalorização do papel dos professores. Aqui: http://olhardomiguel.wordpress.com/2008/09/14/para-que-servem-as-tertulias/ e aqui: http://olhardomiguel.wordpress.com/2008/09/20/proposta-alternativa-de-avaliacao-do-desempenho-docente-%E2%80%93-uma-estrategia-de-intervencao/ só para não rebuscar textos ainda mais antigos, justifico as razões que me levam a pensar que os sindicatos terão de ser apoiados massivamente para evitar a ofensiva neoliberal que visa funcionalizar o professor e degradar a escola pública.
    Repito uma vez mais que esta minha posição não visa passar uma esponja e apagar os problemas intra e inter-sindicais, os problemas da representatividade, os problemas que têm contribuído para o afastamento de muitos colegas da vida associativa sindical, etc.. Não me interessa saber quem foi o responsável, ou quem foram os responsáveis pela mobilização do pretérito 8 de Março. O que importa é conjugar esforços e envolver os professores na defesa dos superiores interesses da dignificação da classe, mesmo que tenhamos dificuldade em encontrar formas que a todos satisfaçam.
    Quanto ao silêncio dos sindicatos e a estranheza que ele suscita, como pretendi enfatizar nesta entrada, apenas revela que a voz sindical é insubstituível neste quadro adverso.

  7. Alguns esclarecimentos:

    O blogue a que se refere não é de uma associação (ninguém paga quotas e todos trabalham gratuitamente), mas de um MOVIMENTO, no verdadeiro sentido da palavra, pois é composto de um conjunto de pessoas que se esforçam e colaboram, embora seja eu o editor do blogue.

    “Auto-intitulada”? Nunca, pois não foi o Movimento (ou Associação, como se refere) que se intitulou a si mesmo; foram as pessoas que o compõem que o designaram, de acordo com os objectivos orientadores da acção a pôr em marcha.

    “Ad hoc” pode ter vários sentidos… e talvez não seja oportuno esgrimi-los neste breve arrazoado. Mas se tem subjacente a ideia de “rasca”, apenas poderei dizer que tem posto várias pessoas “à rasca”.

    O título do “post” é da minha responsabilidade, conquanto esteja de acordo com o teor do mesmo, cuja autoria não é minha, como se lê na introdução do texto.

    Este é um MOVIMENTO plural que dá voz a todas as opiniões, por mais diversificadas que sejam, desde que elas incidam sobre a Educação, o Ensino, os Professores, especialmente quando se orientarem no sentido da defesa da profissão, da dignidade profissional e da mobilização necessária à consecução desses objectivos.

    Por isso, nele são publicados também notícias, textos e iniciativas dos sindicatos, por vezes, em destaque.

    Como o pomo da (pelo menos aparente) discórdia é SINDICATOS/SINDICALISMO,
    embora a minha posição seja pública e esteja acessível, nomeadamente no arquivo do blogue, não me canso de repetir: infelizmente, os sindicatos (refiro-me aos que temos, na forma, no conteúdo e na luta) têm pautado a sua acção na frouxidão, na falta de “inteligência” e na falta de verdadeira acção – para não falar naquilo que grande número de professores considerou “traição” com o famoso “Memorando de Entendimento”.

    OXALÁ O(S) SINDICATO(S) FOSSE(M) – SEJA(M), JÁ HOJE – O VERDADEIRO MOTOR DA NOSSA CLASSE!

    TODOS SOMOS POUCOS!

    Um abraço.

    Ilídio Trindade

  8. Obrigado pelo esclarecimento, Ilídio. Como se pode contactar pelo seu comentário e fazendo uma analogia com o que escrevi no texto em cima, o que nos separa são os meios e não os fins.


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