Uma notícia ou um frete?
10/09/2008 at 10:01 PM | In Falácias | 1 CommentNão respondi ao inquérito do Público: Não me apeteceu dar para esse peditório. O jornal desejava uma frase, um chavão, folclore. Respondo por aqui que quase ninguém lê as minhas aleivosias.
O que vou fazer para melhorar a escola?
Além da missão principal para a qual sou pago, para melhorar ainda mais a escola treinaria os meus alunos a diferenciar uma notícia de um frete. No dia em que os nossos alunos adquiram essa competência [para utilizar uma expressão querida da MLR], os jornais deixarão de dar graxa ao cágado.
Objectivos individuais
10/09/2008 at 12:10 am | In Avaliação do desempenho docente, Falácias | 7 CommentsO nº 2 do artigo 9 do Dec. Regulamentar nº 2/2008 (avaliação do desempenho docente) refere que os objectivos individuais são formulados tendo por referência um conjunto de itens, dois dos quais devem ser fixados anualmente: a) A melhoria dos resultados escolares dos alunos; e b) A redução do abandono escolar.
Extraordinariamente, por razões que todos conhecerão, todos os itens constantes no referido ponto do decreto regulamentar serão avaliados no final do corrente ano lectivo. Mas fixemo-nos na alínea a) melhoria dos resultados escolares dos alunos.
É uma prática comum, espero eu, realizar uma avaliação de diagnóstico antes de iniciar qualquer unidade de matéria: Há que perceber e determinar com clareza o nível em que se encontra cada aluno para ajustar o processo de ensino às singularidades do sujeito.
Sempre que é introduzida uma matéria de ensino substancialmente diferente, o processo repete-se porque nem sempre é possível garantir a transferência de aquisições de uma para outra matéria.
Este processo aparentemente inócuo é o cerne do ensino individualizado que, além de ser preconizado pela actual LBSE, é propagado pela retórica oficial.
Como manter esta [boa] prática e cumprir o determinado no ponto 1 do artigo 9 do Dec. Regulamentar nº2/2008: “Os objectivos individuais são fixados, por acordo entre o avaliado e os avaliadores, através da apresentação de uma proposta do avaliado no início do período em avaliação”?
Dirão os mais incautos que bastará realizar uma avaliação de diagnóstico no início do ano lectivo em todas as matérias de ensino e assim perspectivar os resultados finais. A falibilidade do processo, sendo diminuta para a matéria do programa do primeiro período, é aumentada com o tempo que medeia entre a avaliação de diagnóstico e a efectiva abordagem da matéria.
Exagero se disser que esta perversão, que é induzida pela avaliação do desempenho docente, é um factor devastador de boas práticas de ensino?
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