O QUE É UMA ESCOLA JUSTA? *
05/09/2008 at 12:04 am | In Reabilitar a escola | 1 Comment
Agora que o tema da justiça vai ser ainda mais enfatizado nos nossos discursos e verificável nas acções de cada um, por razões que se prendem com a avaliação do desempenho docente, desafio-vos a mergulhar neste excelente documento de reflexão: O QUE É UMA ESCOLA JUSTA? de FRANÇOIS DUBET é um texto que, como refere o autor, procura “afastar-nos das petições de princípios, que fazem bem à alma mas que, na realidade, tendem a evitar os problemas em vez de evidenciá-los.”
“Como visam a produzir maior justiça escolar, não podemos deixar de ser muito favoráveis às medidas compensatórias e paliativas. Isto posto, os conceitos de igualdade e de justiça escolar que comandam essas práticas não são tão claros quanto poderia parecer à primeira vista e é importante refletir sobre a justiça escolar para avaliar o sentido e o alcance das políticas escolares. A priori, o desejo de justiça escolar é indiscutível, mas a definição do que seria uma escola justa é das mais complexas, ou mesmo das mais ambíguas, pois podemos definir justiça de diferentes maneiras. Por exemplo, a escola justa deve:
• Ser puramente meritocrática, com uma competição escolar justa entre alunos social e individualmente desiguais?
• Compensar as desigualdades sociais, dando mais aos que têm menos, rompendo assim com o que seria uma rígida igualdade?
• Garantir a todos os alunos um mínimo de conhecimentos e competências? Preocupar-se principalmente com a integração de todos os alunos na sociedade e com a utilidade de sua formação?
• Tentar fazer com que as desigualdades escolares não tenham demasiadas consequências sobre as desigualdades sociais?
• Permitir que cada um desenvolva seus talentos específicos, independentemente de seu desempenho escolar?
Cada um de nós acredita que a escola justa deve ser tudo isso ao mesmo tempo, que ela deve responder a todas essas concepções de justiça. O problema surge do fato de esta afirmação ser uma pura petição de princípios, pois cada uma das concepções de justiça evocadas entra imediatamente em contradição com as outras. Assim, uma meritocracia escolar justa não garante a diminuição das desigualdades; a preocupação com a integração social dos alunos tem grande probabilidade de confirmar seu destino social; a busca de um mínimo comum arrisca-se a limitar a expressão dos talentos; uma escola preocupada com a singularidade dos indivíduos age contra a cultura comum que uma escola deve transmitir e que também é uma forma de justiça… Portanto, não existe solução perfeita, mas uma combinação de escolhas e respostas necessariamente limitadas. Este texto busca antes colocar os problemas do que oferecer respostas.” (continuar a ler)* FRANÇOIS DUBET
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